Jurema é daquelas que se presenteia sentindo pessoas.

Jurema vê, além de enxergar e ouve além de escutar.

Aprecia quem sabe viver, além de existir.

Ela samba na vida enquanto aplaude as chuvas.

Jurema não cura feridas com gorjetas,

Nem mesmo encaixota subjetividades pois rejeita gavetas.

Jurema, sábia, louca, bruxa, se entrega ao que for.

Pouco na vida desperta seu temor.

Quanta falácea!

Jurema é sim bundona, céus!

Jurema é fã de almas cruas e falhas nuas.

Se apaixona por defeitos e se alimenta de alheios trejeitos.

Jurema navega entre covers e,

Aclama pra si o que a humanidade há de ignorar ou descobrir.

Jurema absorve o que for,

E sua apreciação simpatizará o que experimenta de negligência.

Entre fama, moda, escombros, patologias e caos,

Aprecia tudo que souber se despir de dicotomias.

Ah, Jurema!

Jurema rabisca ao telefone e ri da própria “hiper-art-ividade” esferográfica.

Jurema escuta, muito ouve, e sempre tenta.

Jurema se encanta pela possibilidade de compreender,

Tudo que diferente de si possa ser.

Jurema envelhece os ovários, a pele e a voz.

Mas não envelhece sob o tom do mundo algoz.

Jurema amadurece, uma alma velha,

Uma alma envelhecida, uma alma amadurecida,

Numa respiração, a velha em si própria, a vida.

A velha Jurema tenta equilibrar-se na tríade a saber,

O Narciso que reside em (e certo de) si,

O debutante que ouve incessante, sensato e apazigua, como libra,

E a velha intrépida que cansada identifica que se trataria de pregação à surdez.

Ah, Jurema!

Como pudera explorar tanto das chuvas?

A velha Jurema aprendeu que há impossibilidade de diálogo,

Com quem mede dores, sabores e dissabores a matar peculiaridades.

Jurema se afasta de quem engole status quo venerando apequen(idades).

Boa sorte, nova-velha Jurema, diz seus (ím) pares.

Jurema os condena imersa em si como criatura aborrecida,

Enquanto prega – e repete – em sua mente uma peça que distingue sorte de labor.

Jurema, atue e ature!

Ature,

Aos que vêem na complexidade da cebola,

O reduto de um grão de arroz.

E ria de si mesma por apequenar o grão de arroz.

Vá Jurema!

Sangrar e se re(compor).

Vá viver, sofrer, se auto tolher e  embeber-se.

Vá Jurema, sorrir, gozar, vencer ou fracassar.

Vá, Jurema! Brindar a cegueira e teimosia onde não te couber

Sobretudo,  prossiga Jurema, a explodir, implodir, pirar e respirar.

**Chinaira Raiazac**

jurema

Créditos de imagem no arquivo.

 

 

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